Nos meus devaneios e na minha imaginação, flutuada em sonhos, eu elaboro um tipo ideal, um algo perfeito, uma maneira correta de como seria as coisas, coisas além de costumeiras e que estão além da rotina, essas que ficam dentro de mim, guardadas nos meus arquivos empoeirados ou enferrujados de tanto serem abertos, abertos para meu uso é claro, na hora em que fico comigo mesmo, sonhando, elaborando o que seria bom.
Seria bom se no calor do meu abraço fosse falado mais do que as vezes falo, que na magnitude do meu olhar algo mais profundo que um olho fosse visto; Seria bom se eu te contasse uma história da minha vida que fosse tão bem contada, tão detalhada, cheia de triunfos e risos, que você pudesse até mesmo desconfiar que aquela era uma história inventada. Seria bom se na correria da vida cheia de compromissos e horários (um grande parentêses como esse fosse aberto,um parentêse de insaniedade, com um bocado de loucura e uma dose imensa de felicidade).Seria bom se nos encontros sem esperar e nos esbarrões sorrateiros e traiçoeiros que a saudade dá, eu pudesse imediatamente se transportar para perto da pessoa ou no lugar que traz saudade; Seria bom se as palavras que eu falasse fossem além das expectativas tocasse seu interior e você soubesse que dessa vez é realmente verdade, que a reação que elas e minha presença causasse fosse tão forte e tão intensa que contagiasse todos ao redor. Ah como seria bom se além desses sonhos escritos, outros mais subjetivos ainda ocorressem como o esperado, sim seria bom.
Como seria bom se eu fosse além dos meus arquivos neurais, que na hora que o meu parentêse de insaniedade fosse aberto, eu pudesse estar como quem eu gostaria de estar e na onde eu queria estar, que ali naquele momento meu olhar fosse mais profundo do que nunca e meu abraço mais comunicativo que tantos outros e que naquele momento as minhas palavras fossem percebidas como verdadeiras e através dela o nosso redor fosse contagiado, como seria bom, e que um dia toda essa história louca e insana da minha vida fosse contada a outrem e aquele que ouvisse essa história tão linda e tão detalhada, desconfiasse que essa é mais uma história contada.
Luiz Arceli.